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Logo no primeiro capítulo de “Amor à Vida”, nova novela das nove da Globo, uma cena emocionou milhares de telespectadores. A personagem Luana, vivida por Gabriela Duarte morre durante trabalho de parto. Ela sofria de pré-eclâmpsia. Os médicos tentam induzir o parto para salvar o bebê, mas também não conseguem e mãe e filho morrem na mesa de cirurgia.

A trama trouxe muitas dúvidas para muitas de nossas leitoras, que questionaram se seria possível a pressão arterial da gestante subir de repente e não durante os nove meses de gestação, o que configuraria uma gravidez de alto risco ainda no pré-natal.

Outra questão que veio à tona: se a gravidez era de risco, a gestante poderia ter parto normal?

Quem esclarece estas e outras questões é o doutor Claudio Basbaum, ginecologista e obstetra.

O que é pré–eclampsia

“A pré–eclâmpsia (PE) é uma das formas clínicas dentre as manifestações da hipertensão arterial (“pressão alta”) quando ocorre na gravidez após a 20ª semana.

Consideramos pressão arterial normal níveis de até 140 x 90 mm Hg, em condições de repouso.

Dá-se o rótulo de hipertensão gestacional quando a pressão diastólica (“pressão arterial mínima”) é ≥ que 90mm Hg ou quando se eleva em 15mm Hg do valor normal conhecido anteriormente.

A pré–eclâmpsia implica na associação da hipertensão acompanhada de proteinúria, que consiste no aumento da eliminação de proteínas através da urina.

Quanto mais precoce surge o quadro de PE, mais sério é o problema.

A pré–eclâmpsia é grave quando a pressão arterial mínima vai além de 110mm Hg , a proteinúria está muito elevada e acompanha-se de complicações tais como sinais de insuficiência cardíaca, renal, destruição de plaquetas e lesões significativas no fígado.

Assim, a PE grave e complicada é um quadro que em geral surge e evolui de maneira progressiva, o que nos permite enfatizar a necessidade SEMPRE de um acompanhamento pré-natal cuidadoso para TODAS as gestantes, principalmente para as mais jovens e primigestas”.

De olho nos sintomas

“Conseguimos identificar sinais de pré–eclâmpsia quando surge inchaço nas mãos e no rosto de uma gestante (o mais comum) acompanhado de proteinúria. Mas este “inchaço” (edema) pode ser também difuso e muitas vezes representado apenas pelo ganho de peso excessivo num curto tempo a partir da 20ª semana de gestação, acompanhado de elevação progressiva da PA (pressão arterial).

Uma vez levantado o diagnóstico de pré–eclâmpsia temos que manter a gestante sob controle clínico e laboratorial rigorosos, se necessário até com a paciente internada.

Recomenda-se, nestes casos, consultas a cada uma ou duas semanas.

Desta forma, a pré–eclâmpsia pode surgir entre uma consulta de rotina e outra, exigindo a partir daí, avaliação materna e fetal atenta, objetivando evitar a progressão da moléstia para estados mais graves ou iminência de eclâmpsia.

A eclâmpsia consiste no aparecimento de convulsões e até mesmo estado de coma, podendo levar ao óbito materno e/ ou fetal”.

Parto normal ou cesárea?

“Uma mulher que se apresenta na maternidade com um quadro “súbito” de eclâmpsia, provavelmente não teve um acompanhamento gestacional (pré-natal) adequado.

O tratamento obstétrico, incluindo a própria interrupção da gestação, estará na dependência da avaliação materna, da maturidade e do grau de comprometimento da vitalidade fetal.

A via do parto se será vaginal ou cesariana, dependerá desses fatores, mas se baseará nas condições obstétricas do momento.

Portanto a condição da pré–eclâmpsia em si, não indica a priori, a realização de uma cesariana, sendo perfeitamente recomendável o trabalho de parto espontâneo”.